O Princípio (1145 d.C)Toda a região onde hoje é Northland, há 942 anos, era um conjunto de vários pequenos reinos tribais em constante conflito. Dois dos que mais se destacavam eram o clã Dragunov e o clã Volkovar.Yaroslav Dragunov, posteriormente conhecido como O Grande Dragão Cinzento, teve seu primeiro embate com Rostislav Volkovar, o Lobo Negro, quando ambos os clãs atacaram um pequeno povoado que controlava um importante território cortado pelo Rio Moskva.Rostislav atacava pelo sul quando as tropas de Yaroslav vieram pelo norte e encurralaram o exército adversário, que recuou diante do Lobo Negro.Depois de massacrar a resistência, ambos os exércitos entraram em um conflito que durou semanas, até que uma trégua foi selada dividindo metade do território para cada, sendo o Rio Moskva a divisão de fronteiras.667 anos depois dessa batalha, ambos os reinos já haviam se consolidado como as duas únicas potências locais, tendo conquistado todas as outras casas, incluindo as outras seis que, junto com Dragunov e Volkovar, um dia formaram O Grande Conselho Dos Oito.No ano de 1812, ambos os reinos já estavam cansados de guerras e mortes. Os Volkovar já haviam perdido cerca de 60% do seu território quando, numa tentativa desesperada de salvar a si e sua família, Igor Volkovar propôs um acordo de rendição. Ele oferecia sua filha mais velha, Elena Mikhailovna Volkovar, para que se casasse com Viktor Aleksandr Dragunov, o filho e herdeiro da atual líder do clã Dragunov, Nastenka. Com isso, Igor cedia todo o seu território, mas garantia a continuidade de sua linhagem e um posto permanente no conselho real.Nesse mesmo ano, Nastenka fundou o reino de Northland e, logo após, abdicou do trono para que Viktor assumisse, dando início à era Dragunov-Volkovar, que se estendeu por 200 anos de paz, até a Segunda Fratura em 2012.

A Segunda Fratura de Northland (2012)Durante quase dois séculos após a grande unificação, Northland viveu sob a herança conjunta das Casas Dragunov e Volkovar. A antiga rivalidade que dividira o reino fora encerrada pelo casamento entre Viktor Aleksandr Dragunov e Elena Mikhailovna Volkovar, dando origem à linhagem Dragunov-Volkovar. O sobrenome duplo tornou-se símbolo de equilíbrio entre força militar e diplomacia, sustentando uma estabilidade que atravessou gerações.No ano de 2012, poucos dias após as celebrações do bicentenário da Unificação, o rei Mikhail Antonovich Dragunov-Volkovar faleceu inesperadamente. Seus filhos gêmeos tinham então vinte e cinco anos. O herdeiro legítimo era o primogênito, Nikolai Sergei Dragunov-Volkovar, mas ele permitiu que o irmão mais novo, Alexei Sergei Dragunov-Volkovar, assumisse o trono.Alexei representava a ala pacifista da linhagem. Defendia a manutenção dos tratados com Letania e acreditava que a prosperidade de Northland dependia da estabilidade diplomática. Nos primeiros anos de reinado, reduziu a presença militar nas fronteiras e buscou fortalecer acordos comerciais. Nikolai via tais decisões como um risco estratégico. Para ele, o reino começava a demonstrar fragilidade diante de antigos rivais.A ruptura tornou-se irreversível quando Nikolai renunciou publicamente ao sobrenome Volkovar, declarando-se apenas Dragunov e afirmando que a essência de Northland fora construída na força. Em resposta, Alexei abandonou o nome Dragunov e passou a governar como Volkovar, sustentando que o futuro do reino não poderia permanecer preso ao passado bélico.O país dividiu-se novamente.A Segunda Fratura de Northland estendeu-se de 2012 a 2027. O conflito começou como crise institucional, evoluiu para confrontos regionais e culminou em guerra aberta. Fortalezas estratégicas foram sitiadas, cidades do interior tornaram-se pontos de resistência e parte da nobreza declarou apoio formal a um dos irmãos. A população, que por gerações acreditara na união definitiva das duas casas, foi novamente forçada a escolher lado.Em 2027, aos quarenta anos, Nikolai liderou a ofensiva final contra as forças do irmão. Alexei Volkovar morreu durante a campanha decisiva no norte do reino. Os registros oficiais classificam sua morte como execução por traição à coroa. Outras versões sugerem circunstâncias menos claras, mas os arquivos reais permanecem selados.Com a vitória, Nikolai Sergei Dragunov assumiu o trono como soberano absoluto e restaurou oficialmente a dinastia Dragunov como única casa reinante. O nome Volkovar foi removido dos registros da sucessão real, embora jamais tenha desaparecido completamente da memória popular.Nikolai governou de 2027 a 2047. Seu reinado consolidou estabilidade interna, fortaleceu as forças armadas e reafirmou a autoridade da coroa. Ao falecer, deixou o trono para seu filho, que naquele momento completava quarenta anos.O novo rei, Konstantin Mikhailovich Dragunov, assumiu em 2047 e governou por quase quatro décadas. Sob sua liderança, Northland manteve prosperidade econômica e ordem interna, mas os conflitos nas fronteiras com Letania tornaram-se cada vez mais frequentes. Não houve declaração formal de guerra, porém incidentes armados e tensões diplomáticas passaram a fazer parte da rotina política.Sua morte, em 2085, levou o primogênito, Viktor Konstantinovich Dragunov, ao trono aos trinta e oito anos. Hoje, aos quarenta, ele governa um reino forte, vigilante e ainda marcado pelas decisões tomadas por seu avô sessenta anos antes.Ao seu lado estão seus irmãos. Mikhail Konstantinovich Dragunov, aos trinta e sete anos, lidera as forças militares de Northland e personifica a tradição bélica da família. Aleksandr Konstantinovich Dragunov, aos vinte e seis, foi preparado para a diplomacia e para os salões internacionais, representando a face estratégica e calculada do reino. A mais jovem, Nastenka Aleksandrina Dragunov, aos vinte e quatro, cresce sob a sombra de três homens moldados por guerra e poder, ocupando um espaço cuja influência ainda está por se revelar.A Segunda Fratura não pertence apenas ao passado. Ela moldou três gerações da família real. E, em Northland, a escolha entre força e conciliação continua sendo o eixo invisível que sustenta o trono.

Relações diplomáticasNorthland mantém, desde sempre, uma relação neutra tanto com Andaluzia quanto com Alviverda.Tem como forte aliado o reino de Atterada. Esse vínculo foi construído quando o então rei Nikolai se casou com uma atteradense, Glacia. Ambos se conheceram e se apaixonaram durante um passeio a cavalo de Nikolai, que, em um descontrole de sua montaria, esguichou lama no vestido de Glacia, que havia chegado a Northland há alguns poucos anos em busca de uma vida melhor junto de seu pai.As relações com Regalia não são das melhores desde a construção de uma base militar de Regalia no Alaska, território esse que faz fronteira com Northland e deixou o reino em alerta, fazendo constantemente exercícios militares na divisa dos territórios.Ódio é a palavra certa para descrever a relação entre Northland e Latania. Séculos de tensão, guerra e conflitos que foram até mesmo responsáveis por desestabilizar a paz em Northland. Apesar de parte da população e até mesmo do conselho apoiarem o fim dos conflitos armados, o rancor e a desconfiança em relação a Latania permanecem enraizados no coração e na mente do povo de Northland.

Rei Viktor Konstantinovich Dragunov
✶ (07/11/2047)

O primogênito de quatro irmãos, Viktor foi forjado sob a disciplina rigorosa que se espera de um herdeiro. No entanto, engana-se quem enxerga sacrifício em sua trajetória; ele saboreou cada etapa do treinamento com um entusiasmo quase perturbador.
Aos olhos do povo, Viktor personifica o soberano ideal: carrega um carisma magnético e uma benevolência que parece emanar de cada gesto. Seus sorrisos são prontos, e sua postura exala a serenidade de um rei justo e misericordioso. Contudo, essa fachada é sua ferramenta mais afiada. Sob a luz quente de sua simpatia, oculta-se o temperamento implacável herdado de seu avô — uma natureza manipuladora e sádica que transforma sua aparente bondade em uma armadilha meticulosamente construída. Para Viktor, o reino não é um fardo a ser carregado, mas um tabuleiro onde cada súdito é uma peça à mercê de sua vontade.

Gen. Mikhail Konstantinovich Dragunov
✶ (30/04/2050)

Nascido apenas três anos após o primogênito, Mikhail sempre foi o contraponto exato de Viktor. Enquanto o irmão governa com sorrisos calculados, Mikhail carrega no rosto a severidade das frentes de batalha. No entanto, essa disparidade nunca foi um obstáculo; pelo contrário, forjou entre eles uma irmandade inabalável. Foi essa lealdade absoluta, somada ao seu brilhantismo estratégico, que o levou ao posto de General Supremo das forças de Northland — um presente de confiança dado pelo próprio irmão.
Abaixo da armadura pesada e do semblante carrancudo que impõe respeito aos soldados, Mikhail esconde uma natureza profundamente humana. Ele é a bondade genuína que Viktor apenas simula: um homem doce, de espírito gentil e compassivo. Apesar de serem opostos em essência, o vínculo que os une é de uma fidelidade visceral. São duas faces de uma mesma moeda que se movem em perfeita sintonia; Mikhail é o escudo e a espada de Viktor, e ambos vivem sob o pacto silencioso de quem não hesitaria em matar ou morrer pelo outro.

Aleksandr Konstantinovich Dragunov
✶ (11/11/2061)

Alek sempre encontra brechas para testar seus limites em combates, transitando com a mesma facilidade entre arenas oficiais e ringues clandestinos. Esse vigor físico, no entanto, é apenas uma faceta de sua preparação; ele estava sendo moldado para assumir a Chefia do Departamento de Diplomacia de Northland, o que lhe garantiria um assento no conselho ao lado de Mikhail. Contudo, o destino tomou outro rumo quando ele foi enviado para a Seleção, adiando sua ascensão política em prol de um propósito maior.
No temperamento, Alek é o reflexo mais próximo do irmão general. De poucas palavras, ele sustenta um semblante sério e carrancudo que frequentemente mantém os outros à distância. Mas, sob essa casca endurecida pelas lutas e pelo silêncio, reside uma doçura genuína. Ele possui o mesmo espírito gentil e humano de Mikhail, agindo como um observador atento que prefere a honestidade dos gestos ao artifício das palavras, levando consigo essa essência protetora mesmo enquanto enfrenta os novos desafios que o aguardam.

Nastenka Aleksandrina Konstantinova Dragunova
✶ (12/09/2063)

Dois anos após o nascimento de Aleksandr, Olga Aleksandra deu à luz Nastenka. Embora sua chegada não estivesse nos planos, a menina logo se tornou o centro das atenções, tratada com o zelo dedicado a uma valiosa boneca de porcelana. Como a caçula e o xodó absoluto dos pais e dos três irmãos, ela é publicamente reverenciada como o "Anjo da Família Dragunov".
Essa imagem celestial ganha ainda mais força quando ela sobe ao palco; como bailarina, Nastenka move-se com uma leveza etérea, encantando o reino com sua graça e disciplina impecáveis. No entanto, enquanto nos salões reais ela é sinônimo de pureza e delicadeza, os becos de Northland alimentam uma narrativa diferente. Entre sussurros e olhares furtivos pelas ruas, corre o boato de que, por trás do tule e dos movimentos graciosos, a jovem Dragunov guarda segredos que em nada lembram a fragilidade de um anjo.

"Damn right and I'll do it again
'Cause I am right so I gots to win"

Herdeiro de uma combinação rara entre o magnetismo de Viktor e a ferocidade de Mikhail, Aleksandr sempre foi a escolha lógica para o Departamento de Diplomacia de Northland. Desde os oito anos, sua vida foi uma sucessão de tratados e estudos estratégicos, mas Alek nunca foi um homem de salões vibrantes. Ele cresceu à sombra do silêncio, tornando-se um observador atento que prefere ouvir o que não é dito. Carrancudo e de poucas palavras, ele carrega no rosto a mesma gravidade de Mikhail, o que frequentemente faz com que estranhos confundam sua reserva com frieza.
No entanto, essa casca endurecida protege um espírito de doçura inesperada. Alek possui uma humanidade profunda; sua seriedade não nasce da arrogância, mas de uma empatia silenciosa. Ele é o tipo de homem que fala pouco, mas cujas ações transbordam proteção e cuidado com os seus.
Essa dualidade encontra seu escape nas arenas. Entre uma viagem diplomática e outra, Alek busca o contraste absoluto da política nos ringues. Seja em torneios oficiais ou em lutas clandestinas em becos úmidos, ele se entrega ao conflito físico com uma precisão cirúrgica. Ele luta como Mikhail comanda: com estratégia, honra e instinto. Para ele, o caos da briga é onde a verdade se revela, longe das máscaras da corte.
Foi essa força indomável que o levou a conquistar, aos dezesseis anos, o primeiro de dez títulos consecutivos como campeão de boxe no Festival das Sete Casas. No ringue, ele é uma força implacável e sombria; fora dele, é o irmão de coração gentil e o diplomata que pondera cada passo. Ele estava prestes a assumir a Chefia da Diplomacia, mas o curso de sua vida mudou subitamente quando ele foi enviado para a Seleção.